“Ééééé ... Esse bracinho não seria da Shakira?”
...
Achou essa frase estranha? Bem, realmente é. E se eu disser que foi à partir dela que se iniciou uma grande história de amor, melhora? Huum ... Acho que só piorei, né?
Bem, se ajuda, garanto que na hora também não foi muito mais claro pra mim. Mas o fato é que nem tinha como, mesmo. Ao bater os olhos nessa frase [estranha] não me dava conta de que ali a minha vida estaria começando a mudar. Tá, eu sei, é bem clichê isso, mas não tem como fugir. A bem da verdade, tudo que se passou desde aquele dia (há exatos dois meses) me serviu para mostrar o quanto esses “clichês” são válidos e, mais que isso, necessários. Mas se afinal até mesmo as maiores histórias de amor do cinema recorriam a esses clichês, por que eu não posso?
Tivemos direito a tudo, desde o começo num pedacinho de madrugada fria e com chuva batendo na janela, passando pelos tradicionais contratempos que me forçaram a ficar em casa e desmarcar aquela boa cerveja com os amigos combinada já há dias e uma certa “tristeza” inexplicável que me levou a ficar vagando em busca do que fazer.
E eis que ela aparece e começam os flertes que, se inicialmente eram tímidos, inocentes, poucos minutos após carregavam toda a malícia já esperada de tal encontro (sim, pois isso de “inocente” passa longe - e quem conhece o casal sabe disso). Para ficar mais estranho ainda, tudo embalado pela trilha mais romântica possível (entenda como “brega” - ah, vá, Bryan Adams e Roupa Nova nem são tão ruins assim).
Contrastes, descobertas, contrastes, encanto, contrastes ...
À medida em que o papo ia fluindo, eu percebia o quanto você era diferente de mim e, até certo ponto, de você mesma. Boa moça por alguns instantes, completa devassa minutos após, menininha tímida logo em seguida ... Não dá, não tinha como definir você àquela hora. O único título que cabia era o de “mulher mais absurdamente interessante e fascinante com quem eu já havia conversado”.
As horas passaram e eu já nem lembrava mais da cervejada perdida. Estava cada vez mais envolvido, tanto quanto há tempos não ficava, e só vim me permitir voltar a dar atenção ao mundo quando o sol começou a bater no meu rosto. Você foi dormir, mas eu continuei ... Era como se estivesse em transe (e isso ainda durou alguns dias).
E foram ótimos “alguns dias”, por sinal. Conversas cada vez mais fluentes e à vontade. Era como se fôssemos íntimos já há muito. Cada novo dia representou um ano passado contigo. Cheguei ao ponto de fechar os olhos e ter lembranças de coisas que ainda nem haviam acontecido, como encontros e jantares a dois, filmes na cama, aulas de dança (é, sou terrível nisso) e até mesmo brigas. Sério, não é exagero. Bem, na verdade é, mas não conseguia evitar. Era mais do que o já esperado “Ah, é como se eu a conhecesse de tempos!” ... Eu tinha lembranças.
Não vou me alongar mais. Citar “aqueles três dias” seria me arriscar demais a passar outros dois meses escrevendo com riqueza de detalhes todos os momentos fantásticos que passamos juntos (se bem que até seria legal - uns cortes aqui, uns floreios ali e posso aproveitar pra fazer um roteiro).
Melhor parar por aqui mesmo, essa conversa toda já tá muito “romântica” (entenda como “brega” - de novo), e não, eu não sou romântico (que bobagem, eu nem mesmo chorei de saudades nesses dias longe - pelo menos não às vistas de ninguém) e nada disso realmente me afeta (sim, eu sou durão - e não seja louca de discordar).
Afinal, o que tem de relevante que por você eu mudarei de estado e recomeçarei minha vida do zero? Ou que há exatos dois meses eu havia me comprometido a não ter outro relacionamento sério pelos próximos dez anos (se bem que isso é totalmente discutível - uma prorrogação por mais dez não seria de todo mal) e hoje me pego te ajudando a escolher o nosso apartamento (apesar de não poder ter pelas fotos a mesma sensação que você que está indo pessoalmente)? Ou então que já brigamos quase todas as noites por você querer chamar nossa filha Monica de Olivia (eu sei que é ciúme da Monica Vitti, mesmo você negando - ainda bem que é consenso que o menino seja Rocco). Aqueles planos de casar à beira da praia “com flores na cabeça, nossos pés descalços”, então, nem merecem registro.
E melhor encerrar por aqui, senão o espírito de romantismo dos primeiros parágrafos me pega e eu acabo dizendo que TE AMO (e sei que você detesta - da mesma forma que não suporta quando uso a expressão “fazer amor”).
E "isso" é amor? Não, minha linda, isso é amor:
Por você vou parar de fumar!!!
- por Luca
E não, não vou explicar o que significa aquela frase da ‘Shakira’.

